jeudi 24 mai 2012

Torcer ou ser cidadao? Eis a questão

O Brasil esta a ponto de aprovar duas coisas que vão modificar o futuro do pais por um bom tempo: o Novo Codigo Florestal e a Lei Geral da Copa. Os dois ja foram aprovados na Camara e no Congresso e so estao esperando uma assinatura da nossa presidente para entrar em vigor.

Em grosso modo, se sancionados, eles dao carta branca a entidades privadas para dilapidar nossas florestas (ainda muito mais do que agora) e de suprimir direitos dos torcedores de futebol no pais.

Ontem a noite foi noite de futebol no Brasil. Alguns torcedores choraram mas eu creio que a maioria fez a festa, porque hoje quando eu entrei no face vi milhares de comentarios do tipo: "vai timao", "chupa", "vai a merda", "meu time X é foda", "agora é nois... vamo ganha a Libertadores", etc, etc...

Meu ponto é: o que se passa com a sociedade brasileira?

Como é possivel que se tenha uma manifestaçao ZERO contra as barbaries que sao feitas em Brasilia e que nos afetam a TODOS, sem distinçao de preferencia futebolistica, e uma chuva de lagrimas, xingamentos e gloria, quando um punhado de times conseguem uma classificaçao em um torneio? Aonde esta o nosso coraçao ai estao o nosso tesouro, e aonde esta o coraçao do brasileiro?

Alguem até pode dizer que nao se tem o que fazer com a politica brasileira, que ja é assim e sempre sera assim. Mas pensemos um pouquinho (mesmo que doa a cabeça)... O Brasil é uma Republica Democratica. Ora republica vem do latim "res publicae" que quer dizer "coisa publica", ou seja é feita POR NOS e PARA NOS e democracia vem do grego e quer dizer "demos" povo e "kratos" poder, ou em miudos "PODER DO POVO". Entao, NOS, o povo é quem decidimos TUDO o que se deve ou nao deve ser feito no Brasil. Por outro lado, um clube de futebol é uma entidade PRIVADA, ou seja, tudo o que é feito nao é decidido pelo publico (torcedor) mas sim por algumas pessoas que sao eleitas por essa propria entidade. O papel do torcedor é de pagar o ingresso e incentivar o seu time e SO. Entao, aonde esta a logica, se é que existe uma? Nos gastamos muito tempo (tempo de ver o jogo, de comentar a partida depois, ir no facebook para comemorar/chorar, etc), dinheiro (ingresso estadio, transporte até estadio, cerveja, amendoim, camisa do clube, assinatura de tv à cabo, internet, barzinho after-match, etc) e energia (dinheiro + tempo) em uma entidade PRIVADA, com a esperança de que minha torcida possa alterar o resultado e o meu time possa vencer e ser campeao. E ZERO em engajamento, nao digo nem politico, mas civico e republicano em MEU (NOSSO) governo e no MEU (NOSSO) pais para lutar por algo em que SIM, é publico e que SIM eu POSSO e FAçO a diferença? Alguem pode me explicar?

Por que ao inves de pagar 200 reais em um ingresso da libertadores (fonte: http://tinyurl.com/dyp4mnu do dia 19/03/2012) ou, 65 da Copa do Brasil, nos nao peguamos esse mesmo dinheiro e voamos para Brasilia, ou vamos de onibus mesmo. Ou se nao quisermos tanto trabalho, por que nao vamos na frente da camara, da prefeitura ou do governo de nossa cidade/Estado. E oo invés de ficar soltando rojao no hotel do adversario do nosso time. Nao vamos fazer isso na frente da camara, da prefeitura ou do governo de sua cidade/Estado. Quantas pessoas assistem uma partida de futebol? Um milhao, dois? Imaginem se toda essa gente protestasse? Se vestissem a camisa canarinho e fossem lutar pelo nossos direitos. Quanta coisa nao ia mudar hein? Voce nao concorda?

Entao da proxima vez que for encher o facebook de uma catarse coletiva, pense se voce do outro lado voce ja fez a sua parte como CIDADAO antes de TORCEDOR.

Tente, nao é dificil, so exige o MESMO NIVEL de comprometimento que voce tem com o seu clube de futebol...

lundi 7 mai 2012

Un nouveau souffle en France

Je vous écris au lendemain des résultats au 2e tour des élections françaises, au moment où la presse commence déjà à songer au futur proche de cette nouvelle administration et que les Français sont à moitié (51,62% à 48,38%) heureux. Pendant ce temps sur Facebook, des larmes coulent des deux côtés et ceux qui ont crié "Si Hollande passe, je quitte la France" sont maintenant en train de faire leurs valises. Car hier, la France a pris le rôle de la résistance. Nous y croyons!

Que le Peuple européen puisse, avec ce nouveau souffle, se diriger vers un nouvel avenir!

mercredi 27 octobre 2010

Um domingo de Outubro...

Eu já não me lembro mais do dia em que eu assisti pela primeira e, salvo engano, única vez o filme "The Doors". Não me lembro se era dia ou noite. Mas é mais provável que seja de madrugada, pois eram nas madrugadas dos desempregados que eu gastava minha adolescência. Mesmo não conseguindo me lembrar do dia, com certeza eu consigo me lembrar das experiencias que as viagens verbo-acidos-psicologicas de Mr. Morrison e cia. deixaram em minha alma.
Foi uma completa revolução na minha limitada, porém sonhadora cabeça de jovem espinhento. Eu vi aquele galã cabeludo e me apaixonei. Me apaixonei pela sua visão de vida, me apaixonei pela sua voz grave e potente, me apaixonei pela sua ousadia e rebeldia, me apaixonei pelo jeito de como ele conquistava as garotas (e isso para um jovem gordinho e espinhento significa muito, pois não era nada fácil de fazê-lo), até mesmo me apaixonei pelos seus óculos ray-ban. E como todo apaixonado, eu comecei a idolatrar o objeto de minha paixão. Escrevi poemas e odes ao "Lizard King". Comprei camisetas e óculos ray-bans falsificados para tentar, através da similarização, obter um pouco do "mojo" que o deus Morrison exalava. Escutei as músicas seguidas e seguidas vezes procurando entender o significado atrás do significado. Porque afinal: O que aquele cara estava querendo me dizer?
"Break on through to the other side", essa frase ecoa dentro do meu cérebro assim como um mantra budista deve ecoar na cabeça de um monge tibetano. Se eu ousasse traduzi-la para o português, acho que soaria como uma mistura de uma invasão do Bope no morro do Alemão (ao melhor estilo pé na porta, soco na cara e gritos de "perdeu playboy"!) com Ghost, do outro lado da vida (com a Luz Branca vindo do céu e nos chamando ao paraíso). Assim eu penso que soaria essa frase em português. Claro que essa não é uma aproximação nem um pouco exata, então que me desculpem os não anglófonos mas eu fiz o meu melhor, se precisarem de ajuda peçam ao seu professor de inglês.
Esse refrão mistico, junto com a ideia de que J.M. era um xamã, alimentaram minha imaginação e me deram asas para sair da minha vida mediana e voar aos confins do espirito humano. "Adentrar as portas da percepção" disse ele citando Blake, ou Milton, eu já não sei mais. E foi exatamente isso o que eu fiz. Passei porta adentro, invadi o meu subconsciente e procurei compreender meu ser. Escrutinei minha alma em busca da centelha divina, dos cantos dos antigos índios que dizem que o universo é uma coisa só e que o amor é o sentimento máximo. Li os textos sagrados em busca de conhecimento e iluminação. Tudo isso tendo como trilha sonora as musicas dos Door's. Não sei se fiquei mais sábio, ou mais próximo do Nirvana (o do Buda, não o do Cobain), o que eu sei é que os anos passaram e eu ainda carrego no espirito as marcas dessa viagem e posso dizer que nada foi em vão.


Depois de um tempo outras preocupações e outras musicas tomaram o lugar que eu guardava para adoração do Mestre. Somente voltei a pensar nisso neste domingo, dia vinte e quatro de outubro de dois mil e dez quando eu fui visitar o cemitério Père Lachaise em Paris.
Foi um domingo frio e úmido bem tipico do outono europeu. Na verdade os planos eram de fazer uma caminhada em uma cidade perto da minha casa, mas devido a distancia e a nossa preguiça de levantar cedo em um dia como aquele, acabaram fazendo com que mudássemos os planos. Eu já havia enchido o saco da Suz (ela não é muito fã de rock, mas ninguém é perfeito) para irmos e da ultima vez que tentamos, chegamos muito tarde e demos com a porta na cara. Só que dessa vez tínhamos bastante tempo e conhecíamos mais as infinitas linhas de transporte da Cidade Luz.
Pegamos o trem em direção à estação Paris-Montparnasse e de la pegamos a linha seis com direção à La Nation. Depois, mais uma mudança para a linha dois direção Porte de la Chapelle. Finalmente, apos uma hora de sobe-e-desce/muda-de-linha descemos na estação Père Lachaise onde fica a entrada principal do cemitério. Em meu coração eu tinha a expectativa de quem vai visitar pela primeira vez o Egito para ver as Piramides ou de que vai à Índia ver o Taj-Mahal. Ou seja, aguardava um monumento enorme e opulento como aqueles que se erguem para deuses e princesas ricas e maravilhosas. Digno do meu deus particular à quem um dia eu já enviei minhas preces.
Apos uma pequena perda de tempo tentando nos localizarmos no mapa, seguimos em procissão ao local indicado no mapa. Bolinha preta (que indica a tumba de uma celebridade) numero trinta, Rue de la Division Cinq. Devo dizer que não foi nada fácil. Aquele lugar é uma verdadeira cidade, cheio de ruas, avenidas e rotatórias. Depois de um tempo nos perdendo entre os túmulos, eu vi uma pequena movimentação de pessoas por ali e me dirigi para pedir maiores informações. Qual meu espanto quando, por sorte ou pelo destino, me vi de frente ao singelo e discreto tumulo de James Douglas Morrison.
Encoberto por uma outra tumba, que mais parece uma pequena casa e cercado por outras de igual tamanho, o lugar de descanso de Jim Morrison é simples e mal localizado. Defendido por grades que chegam à altura da cintura, está adornado por algumas flores, uns discos e desenhos que os fãs eventualmente deixam por ali. Não ha um monumento, nem estatua. Tão pouco multidões de pessoas que fazem filas para tocar a pedra fria de mármore para pedir proteção e sorte. Estavam lá somente uns turistas gaiatos que conseguem coordenar o pontinho no mapa com as placas de direção, a Suz e eu. Uns três jovens fumavam um cigarro e trocavam umas palavras. Não entendi o que diziam, mas eu vi na expressão de suas faces que por dentro se passava um filminho. Acho que o mesmo filminho que, a muitos anos atrás, me fez fazer uma peregrinação espiritual e que me levou até o Père Lachaise num domingo frio e molhado para ver Jim Morrison.
Não deixei nenhuma lembrança ou flor. Eu queria, mas como eu acabei de mudar de pais, tudo de especial que eu tenho ficou no Brasil e por isso o tumulo ficou sem nenhum souvenir meu. Pelo contrario, eu é que fiquei com um souvenir de lá. Minha alma guarda a imagem daquele lugar escondido onde eu me encontrei com o Lagarto Rei e mais uma vez pude "atravessar para o outro lado".