lundi 20 juillet 2015

Os nomes hipócritas que os portugueses davam aos navios negreiros

Fonte

De acordo com a universidade norte-americana de Emory, cerca de 4,8 milhões de escravos foram transportados de África para o Brasil, entre o século XVI e XIX. Alguns dos barcos que os transportavam foram baptizados com nomes que dissimulavam a verdadeira natureza da “mercadoria” que traziam a bordo.
Perto de 35 mil viagens catalogadas por todo o mundo, de navios que transportaram escravos de África para diversos portos espalhados por todo o mundo, tanto na Europa como na América, ao longo dos séculos XVI e XIX. Foi o que fez, nas últimas décadas, a Universidade de Emory, no estado norte-americano de Atlanta.
De acordo com os cálculos feitos pela instituição, a consequência destas viagens foi o aprisionamento e embarque de 12 milhões de escravos em todo o mundo. Ao Brasil terão chegado à volta de 5 milhões de escravos, indica a universidade, cujos dados estão disponíveis no website “slavevoyages.org”. Ao todo, presume-se que morreram centenas de milhar de pessoas, só nas travessias pelo Atlântico.
O que mais chocou muitos dos interessados que lançaram-se na pesquisa destes dados foram os nomes de alguns dos navios, com bandeira portuguesa, que faziam este transporte. Uma mistura de mau gosto com hipocrisia. Eis oito dessas embarcações.
1. "Amável Donzela" (1788 a 1806)
Travessias realizadas: 11
Escravos transportados: 3.838
Escravos mortos durante as viagens: 298
2. "Boa Intenção" (1798 a 1802)
Travessias realizadas: 2
Escravos transportados: 845
Escravos mortos durante as viagens: 76
3. "Brinquedo dos Meninos" (1800 a 1826)
Travessias realizadas: 11
Escravos transportados: 3.179
Escravos mortos durante as viagens: 220
4. "Caridade" (1799 a 1836); houve quatro diferentes embarcações com esse nome
Travessias realizadas: 20
Escravos transportados: 6.263
Escravos mortos durante as viagens: 392
5. "Feliz Destino" (1818 a 1821)
Travessias realizadas: 3
Escravos transportados: 1.139
Escravos mortos durante as viagens: 104
6. "Feliz Dias a Pobrezinhos" (1812)
Travessias realizadas: 1
Escravos transportados: 355
Escravos mortos durante a viagem: 120
7. "Graciosa Vingativa" (1840 a 1845)
Travessias realizadas: 10
Escravos transportados:1.257
Escravos mortos durante as viagens: 125
8. "Regeneradora" (1823 a 1825); houve três embarcações com esse nome
Travessias realizadas: 7
Escravos transportados: 1.959
Escravos mortos durante as viagens: 159

vendredi 17 juillet 2015

New war machine!

Meet the ultimate war machine of the 21st century! It's costless (if you're behind it of course) and very effective. Just look how Eurogroup is using it against the evil Syriza Gouvernement in Greece.
Main features: 
- total humiliation of the enemy by discrediting it's democratic decisions; 
- total control of the target (economical, social and political domination); 

- it can be operate from any fiscal paradise of your choice; 
- no life loss and or danger of jeopardising one of your expensive costume;

Make money on the privatisations you'll oblige your debtors make to pay you back!
! ! Low IMF's based interest rates for the first 30 calls! !
Interested? Want to know more? Read our conditions below:

mercredi 15 juillet 2015

Carros mundo afora

Como sugerido pelo Flavio Gomes, vou colocar aqui as fotos dos carros que tenho visto nestas minhas andanças pelo mundo. Sinceramente eu não sei o nome de todos e nem a marca. Assim, vamos fazer um joguinho: eu ponho a foto e o país onde ela foi tirada e vocês me dizem o resto, ok?

No meio dos Alpes - França













Os gêmeos - Espanha




















Relíquia do passado comunista - Moçambique
















Aqui de casa- Brasil
















Abafando - Africa do Sul
Perambulando em Maputo - Moçambique






























Descanse em Paz - Moçambique

Carro do primeiro governador de Inhambane - Moçambique






























From Comunism With Love 1 - Moçambique

From Comunism With Lve 2 - Moçambique
































Carro (?) preto! Você é feito de aço! - Moçambique
Tuga invocado - Portugal


Bom, por enquanto fiquem com essas porque não consigo achar todas no meio da bagunça aqui. E fica o desafio: quem conseguir nomear mais carros ganha um picolé!













mardi 13 janvier 2015

Os erros da imprensa brasileira na cobertura dos atentados a Charlie Hedbo

« Je ne suis pas d’accord avec ce que vous dites, mais je me battrai jusqu’au bout pour que vous puissiez le dire »
Pseudo citação atribuída a Voltaire

Por Felipe T Toniato

Quase uma semana depois dos atentados à Charile Hebdo em Paris, muita tinta correu para tentar justificar os atos hediondos perpetrados. Vivendo ha quase cinco anos na França e tendo acompanhado de perto a repercussão, fiquei muito surpreendido com tudo o que foi dito nos meios de comunicação brasileiros em geral.

Nenhuma das analises refletiram em absoluto todas as facetas do evento. Enquanto que o “quando”, o “onde” e o “como” eram óbvios e impassíveis de erros, muitos derraparam na tentativa de explicar os “quem” e outros patinaram nos “porquês”. No final, a impressão que temos é que não se entendeu coisa alguma e no afã de ter de se posicionar, misturou-se alhos com bugalhos e o resultado de fait é um qui pro quo imenso.


Valha-me Deus, Maomé e os profetas em querer ser o dono da verdade, ou o Guardião da Divina sabedoria, entretanto me sinto no direito, senão no dever de escrever eu mesmo algumas linhas na tentativa de elucidar este imbróglio transatlântico; dito isso, entremos em pormenores.

Qui l'accusé Charlie Hebdo se présente au tribunal!

Quem é Charlie? E o que fez de grave para merecer uma tão severa punição? Como eu disse a um grande amigo meu: “Charlie Hebdo é punk”! Charlie Hebdo é o jornal que não poderia existir em um Brasil gourmet. Charlie Hebdo a criança que desenha um pênis na lousa enquanto a professora não esta, Charlie Hebdo é o cara que grita: “toca Raul” no show do Joao Gilberto, Charlie Hebdo é a mosca na sopa, Charlie Hebdo é aquele que desagrada Gregos e Troianos, Charlie Hebdo é o cara que vai com a camisa da Gaviões no desfile da Mancha-Verde e vice-versa, Charlie Hebdo é aquela que vai de minissaia em enterro, Charlie Hebdo é aquele que prefere ver o filme do Pelé, Charlie Hebdo é o jornal que ousou fazer uma caricatura do profeta Maomé, quando esta é proibida segundo a lei islâmica, e pagou por isso. E se você acha que todos os precedentes estão errados em suas posições e merecem a punição que vier, desculpe o meu francês mas você é jihadista!

Extremos extremistas anti-extremismo. Esta seria a definição ideal para as pessoas que trabalhavam, e trabalham ainda em Charlie Hebdo. Criticar, criticar e criticar toda e qualquer forma de radicalismo era o modus operandi deste semanário que, até segundos antes do primeiro coup-de-feu, era um dos menos lidos e mais odiados jornais franceses. Sim, Charlie Hebdo nunca foi e nunca sera “popular”, e por quê? Porque ler Charlie Hebdo da nó no estomago, não é para os fracos. Não é a Folha Teen ou Casa e Decoração. Charlie Hedbo choca para abrir os olhos na base da porrada. Charlie Hebdo acusa. Todavia, nem sempre queremos ouvir que estamos errados, ou que as nossas convicções são apenas isso: convicções. Baseadas em crenças pessoais e relegadas ao grupo de pessoas que dividem essas mesmas crenças. Para Charlie Hebdo não existem formas universais, imutáveis e intocáveis. Somente existe o direito de se expressar livremente, seja a favor ou contra, e mesmo a favor ou contra o próprio Charlie Hedbo. Faça o que tu queres pois é tudo da lei.
O indivíduo deve(ria) ser autocritico o suficiente para entender que uma caricatura é apenas um conjunto de traços em uma folha branca, visando a atingir um determinado grupo de indivíduos que, não sendo eles mesmos autocríticos, julgam-se acima do Bem e do Mal e responsáveis pelo policiamento da Fé, da Moral e dos Bons costumes.

Categoricamente, Charlie Hebdo não é contra o muçulmano, mas contra a religiosidade cega. Nisso, muitas analises no Brasil ou erraram, ou não souberam explicar. De toda maneira esta ai, quem quiser concorde, quem quiser não concorde. E je vous en merde !

Continua...


lundi 31 mars 2014

Ressaca e dor de cabeça: o dia seguinte da Esquerda nas eleiçoes municipais francesas.

A Esquerda francesa vai precisar de muito remédio para curar a dor de cabeça nesta segunda-feira. No dia seguinte ao segundo turno das eleiçoes municipais o saldo é grave: das 932 municipalidades com mais de 10.000 habitantes em jogo, a Esquerda saiu vitoriosa somente em 349. Em comparaçao, nas eleiçoes de 2008 esta havia saido com um saldo positivo de 509. É o pior resultado obtido pelo partido em 50 anos. 

Pior que a derrota numérica, o baque vem também da perda de cidades bastioes da Gauche française. Sao exemplos: Villejuif (Val-de-Marne, periferia de Paris), onde o Partido Comunista governava desde 1925, ou Limoges (Limousin, regiao central da França) praça ocupada pelo Partido Socialista desde 1912. A guisa de premio de consolaçao, o PS elegeu a sua canditada Anne Hidalgo a prefeitura de Paris. A primeira mulher que ira governar a Ville Lumière.

Muitos sao os motivos apresentados pelos especialistas para explicar o feito. Entre eles estariam o começo de mandato fraco da parte do presidente Hollande, a falta de trabalho na base eleitoral, a derrota na luta contra o desemprego e o arrocho fiscal da classe média.

Entretanto, nem tudo sao lagrimas na politica francesa. À direita do espectro, o champagne correu para festejar o excelente resultado nas urnas. O ex partido no poder UMP (Union pour un Mouvement Populaire) conseguiu otimo score de 572 eleitos em municipios com mais de 10.000 habitantes. O UMP conhece o primeiro grande feito eleitoral em municipais desde a sua criaçao em 2002.

O pleito marcou também a afirmaçao politica da extrema-direita francesa. Apos haver conseguido 18% dos votos à sua candidata Marine Le Pen, nas eleiçoes presidenciais de 2012, o partido do Front National encaixa 14 prefeitos eleitos. Mesmo parecerendo pouco a vitoria é grande. Trata-se de um partido pequeno que defende idéias racistas e que se encontra por detras de varios movimentos anti-democraticos. 

Outro fator que fez pesar a balança foi a forte taxa de abstençao. Em média 36,45% dos franceses nao compareceram as urnas para votar no primeiro turno. O segundo turno ainda segue sem um percentual definitivo, mas espera-se que a taxa mantenha-se ao mesmo nivel.





Fonte das informaçoes: artigos do lemonde.fr texto: Felipe T. Toniato 








vendredi 28 mars 2014

Biografias – grandes líderes da libertação Africana - Samora Machel


Samora Moisés Machel
Biografias – Grandes líderes da libertação Africana

Personagem: Samora Machel – Moçambique

Grande líder da revolução armada e primeiro presidente de Mocambique independente, Samora Moisés Machel foi um homem tenaz e rigoroso que portanto nunca se afastou do povo que liderava.


Nascido em 29 de Setembro de 1933 em Xilembene, Mocambique. Machel vem de uma família de agricultores relativamente abastados. Seu pai, Mandande Moisés Machel era líder local e descendente de antigos chefes tribais. Pequeno, Samora Machel fez seus estudos em um colégio religioso como parte do programa português de educação dos nativos. Aos dezoito anos, parte para a então Lourenço Marques onde queria prosseguir sua educação. Escolhe a profissão de enfermeiro, uma das únicas que permitiam a um jovem negro de evoluir. Forma-se enfermeiro em 1954 e no ano seguinte já encontra-se alocado como Ajudante de Enfermeiro Auxiliar. Na década de 60 começa a envolver-se com política participando de uma greve para aumento de salários. Encontra-se também envolvido em reuniões onde a situação do homem negro é debatida. Após a visita em 1961 de Eduardo Mondlane à Moçambique, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado, órgão português de repressão) começa a fechar o cerco aos grupos potênciamente perigosos. Machel escapa das garras da PIDE durante o ano de 62, mas em março de 63 é avisado que não tardaría a cair nas mãos do Estado. Neste momento, Samora Machel decide seguir àquilo que vinha fomentando todos esses anos: a luta pela liberdade. Despede-se da família e parte em uma longa viagem que o leva até Dar es Salaam, capital da Tanzânia e sede da recém criada FRELIMO, a Frente de Liberação de Moçambique. Pouco depois, pede para Mondlane, então presidente da FRELIMO, para ser enviado aos campos de treinamento do futuro exército de libertação na Argélia. Este pedido é prova contundente de que o Enfermeiro Machel galgava os passos que o levariam a Chefe da Nação. Uma vez em campo, Machel é escolhido como chefe de seu grupo de recrutas. Eclóde a guerra argelina-marroquina e a base de treinamento é realocada em Kongwa, Tanzânia. Neste local, Samora Machel é nomeado Chefe de Treinamentos e tinha como principal vocação a instrução política. É em Kongwa que a personalidade e determinações férreas de Machel começam a ser de grande utilidade. Ele prega o rigor e a disciplina. Ao ponto de, as vezes, ser acusado de intolerância. Entretanto, tinha consciência de que formava o primeiro grupo do exército que libertaria o povo moçambicano, e que seriam eles quem enfrentariam a dura missão de serem os primeiros em combate. Isto colocou Machel em uma dinâmica de racionalizar os processos de treinamento e endurecer os homens que lhe eram enviados. Durante todo esse período, nutriu-se dos manifestos de Mao Tsé Tung e estudou as revoluções argelina, cubana e chinesa. Todo este conteúdo era repassado a tropa com grande eloquência. Em 1965 é inaugurado o famoso campo de Nachingwea, onde seria criado o homem novo. O seu trabalho como instrutor vai até 1967, onde entraria em combate real pela primeira vez. Fica encarregado de abrir uma nova frente em Niassa Oriental, norte do país. Sai desta experiência com a fama de excêlente chefe militar. A luta armada avança pouco a pouco em sua marcha a partir do Norte. Porém, no final de 1969, recebe duro golpe: o presidente Eduardo Mondlane é assassinado através de uma carta bomba que lhe fora enviada. As suspeitas recaem sobre grupos pró-colonialistas infiltrados no seio da FRELIMO. Segue-se momento de desordem – sem a presidência de Mondlane disputas ideológicas e étnicas começam a aflorir e a Frente vê-se em disputa interna pelo poder. Machel encontra-se longe de tudo, liderando tropas no interior do país.
Machel nunca pode fugir a seu destino. E não pode se dizer que ele tentou. Tinha sempre em mente que trabalho duro, dedicação e paixão libertariam o seu povo. Foi com estes atributos que lutou arduamente contra um inimigo muito mais preparado do que ele. O Exército Português contava com toda a modernidade e inteligência de um exército grande europeu. Para enfrentá-lo, Samora Machel contou com sua astúcia e com a ajuda do povo moçambicano. Não era raro ver a longa linha de locais que transportavam equipamentos e suprimentos aos combatentes. Através distâncias que se mediam em quilômetros. Tudo isto era estreitamente ligado ao carisma que o povo tinha pela figura Machel. É seguro dizer que nada disso teria ocorrido, se um líder menos preparado estivesse em seu lugar. Como se não houvesse trabalho o suficiente no fronte, em 1970 Samora Machel é chamado para ocupar o cargo máximo do movimento; em maio é eleito presidente da FRELIMO. A partir deste momento, começa o processo de tranformação do Chefe Militar em Chefe de Estado. Machel afasta-se da linha de frente e começa a trabalhar na construção política do novo estado a vir. Um trabalho que dura quatro anos e desemboca na primeira tentativa de negociações de paz. Na mesa de diálogo, longe de encontrar um homem do mato e guerrilheiro inculto, os portugueses se deparam com alguém vivo e inteligente. E sobretudo, com um homem que sabia o que queria. Muitos foram os apelos de abandono as armas e retorno ao status quo anterior. Machel fez ouvidos duros a todos estes. Era a Indepêndencia ou nada. Dobrados pela vontade de Machel, da FRELIMO e evidentemente do Povo Moçambicano, os colonizadores capitulam. Os Acordos de Lusaka (Zâmbia) são assinados e em 25 de Junho de 1975, Moçambique se torna independente de Portugal e encontra na figura de Samora Machel o seu primeiro presidente.

Moçambique era um país em ruinas à época da Indepêndencia. A guerra havia desgastado e muito o povo e o território. Todavia, o que mais faltava para a jovem Nação não eram braços e sim cérebros. Durante o período colônial, pouco foi feito para a instrução do povo moçambicano. A maioria dos antigos cadres, administradores e funcionários portugueses haviam fugido. Era raro encontrar-se pessoal capaz de assumir e gerir o Estado. Consciente disso, Samora Machel parte em viagem ao países aliados. Isto o leva a URSS, a Cuba e a China, onde pede ajuda material e intelectual para conduzir o país. Muitos são os enviados à reconstrução. Além da ajuda exterior, Machel faz apelo à seu próprio povo. Em resposta, jovens estudantes moçambicanos se espalham pelo país, numa geração que ficou entitulada como a de “8 de Março”. A palavra-chave que guia a todos é Educação. Do Rovuma ao Maputo (respectivamente os dois rios que marcam as fronteiras de Moçambique no norte e no sul) multirões são organizados para alfebetizar a população, levar saúde e reconstruir as infra-estruturas. Tudo isso dentro de uma dinâmica de coude-à-coude. Tudo era feito pelo povo em benefício do povo. Esta política era um reflexo direto das convicções do seu presidente. Machel acreditava que somente o povo moçambicano poderia erguer o povo moçambicano. A influência exterior não passava de um suporte técnico. O grosso deveria ser feito por eles próprios e sua elite intelectual. Assim, Samora Machel viajou o país, incentivando, fiscalizando, ensinando. Não era raro vê-lo longe dos grandes centros, embrenhado no mato discursando e sobretudo ouvindo. Ouvindo opniões e queixas. Outro ponto remarcável deste momento de glória eram as eleições. A população era ouvida a cada tomada de decisão, e sempre na base do braço erguido. Foram anos gloriosos de rápida ascenção. Moçambique ao fim da década de 70 possuía níveis superiores aos dos anos coloniais. O período também é marcado por algumas anedotas. Machel sempre foi um workaholic. Levantava-se cedo e dirigia-se à sede do governo no Palácio da Ponta Vermelha e de lá somente saia bem tarde. Como era duro consigo, exigia de sua equipe o mesmo nível de comprometimento. Por tanto, fazia “visitas” às fábricas na entrada para o serviço, e repreendia a todos que chegavam atrasados. Não somente os funcionários de baixo escalão estavam na mira do Presidente. As “visitas” estendiam-se à ministros e diretores sempre em horas pouco convêncionais e de surpresa. Claro que devido a uma natureza acomodada de certas figuras, pegava-os em conversas irrelevantes, encontros amorosos e até em sonecas! Imagine a cara do Presidente, tentando contruir uma Nação, ao deparar-se com estas cenas? O método preferido de presentear a estes em falta, era de enviá-los aos campos de reeducação. Que nada mais eram lavouras do Estado, onde trabalhava-se forçado. O período de graça dura de 1975 à 1980. No início da década, Moçambique vê-se assolado por uma praga que consumiu milhões de vidas e todo o trabalho de reconstrução empreendido. Esta praga chama-se guerra civil.
No final dos anos 70 a Rodésia (atual Zimbábwe) vê-se envolta em sua própria guerra pela independência. Pressionado pela comunidade internacional, traduzida na ONU, Moçambique decide aplicar uma série de sanções ao regime de Ian Smith. Uma destas sanções trata-se do bloqueio das fronteiras. Ora, isso mostra-se um revés na economia do país. A Rodésia era um pais sem acesso ao mar e pagava caro a viagem até o porto de Maputo. O único lugar de escoamento de sua produção. A ligação entre um e outro era feita através da linha férrea. Com o bloqueio das fronteiras, o dinheiro de utilização da linha e do porto para de chegar aos cofres públicos. Isto causa um desequilíbrio no orçamento moçambicano e uma desaceleração da economia. Porém, o efeito mais nefasto desta sanção será o apoio do regime de Ian Smith à criação de um exército contra-revolucionário em Moçambique: a RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique). Formado por dissidentes da FRELIMO e insatisfeitos com o Governo, a RENAMO começa por fazer pequenas incursões no território e ataques as infra-estruturas. Como resposta, o governo moçambicano da apoio as forças revolucionárias zimbabweanas e seu líder Robert Mugabe. Temendo que o apoio moçambicano à Mugabe resulte em uma insurreição em seu próprio território, um terceiro e poderoso ator alinha-se ao jogo, trata-se do regime de apartheid da África do Sul. Este investe massivamente em material humano, bélico, em subsidios ou apoio logístico diretamente a RENAMO. Criando assim uma zona de desestabilização. O que antes eram pequenas incursões, torna-se uma operação em larga escala, que logo corta o território em dois e aterroriza a população. Samora Machel depara-se com o seu país mais uma vez em guerra e sangrando. Se o que é ruim pode piorar, em 1982/3 Moçambique passa por uma das piores secas de sua história, arruinando lavouras e sacrificando toneladas de alimentos. O caos é total e a ajuda demora a vir. Milhões morrem. Samora Machel parte em viagem pela Europa Ocidental e EUA para pedir socorro. Socorro que lhe é prometido em troca de uma abertura economica e do abandono ao apoio a movimentos de independência. Particularmente a ANC de Nelson Mandela. Entre a cruz e a espada, Machel opta pelo povo e engaja-se com ambos os pedidos. Em 1984 os Acordos de Nkomati são assinados por Samora Machel e P.W. Botha, então presidente da África do Sul. O acordo marca o fim do apoio moçambicano aos rebeldes e uma virada ao Ocidente. Logo após, a ajuda internacional começa a afluir.
Os ultimos dois anos de vida de Machel lhe foram muito duros. O sorriso lhe escapa vendo o povo morrer e sangrar, enquanto que a nova elite lucra com tudo isso. Os acordos de Nkomati revelam-se infrutíferos. O apoio a RENAMO é cada vez mais forte. Machel sente-se isolado como governante. E de fato estava. Grande parte de sua equipe achava que suas políticas eram ultrapassadas e demasiadas comunistas. A vontade era de uma abertura ainda maior ao capital estrangeiro. Jogando no contra-ataque Samora Machel, em 1986, prepara uma reformulação nos quadros do partido. Iria demitir a todos e substituí-los por jovens recém formados na URSS. A data para mudança já estava marcada, dia 20 de outubro de 1986 às 7 horas da manhã. Antes disso, parte encontrar-se com outros presidentes africanos em Kasaba Bay, Zâmbia. No dia 19 de outubro de 1986, ao retornar do encontro, o avião presidencial cai a apenas alguns quilômetros de Maputo, matando quase todos os tripulantes a bordo, dentre os mortos estava Samora Machel.
Samora Machel dedicou a sua vida a defender os interesses de Moçambique e da África. Defendia a sua independência, a sua autonomia e o seu bem estar. Esteve sempre do lado do povo. Ajudando a este a ser mais forte frente a opressão colonialista. Junto com outros líderes pan-africanos, Machel é um dos pioneiros da África livre e por ela ofereceu a sua vida.

lundi 24 mars 2014

Afronta em Moçambique! Novo Código Penal favorece o estupro.


Agindo em contrariedade aos Direitos Humanos, a Assembléia da Republica de Moçambique quer aprovar um novo Código Penal que favorecerá estupros. Este estará munido de cinco artigos que, se postos em prática,  colocarão a vida de mulheres e crianças em risco. Além de deixar impunes os praticantes do delito.

Sociedade Civil nas ruas

Nesta ultima Quinta-feira 20 de Março, a sociedade civil se pôs em marcha. ONG's como a Liga dos Direitos Humanos, WLSA (Women and Law in Southern Africa), personalidades locais e população uniram-se para protestar. Vestidos de preto como em uma marcha funebre, a comitiva saiu da praça da OMM (Organização das Mulheres Moçambicanas) e dirigiu-se às portas da Assembléia Legislativa, onde foram barradas por forças policiais. Entrentanto, um grupo de dez pessoas foi recebido e conseguiu entregar um manifesto a Presidente do Parlamento, sra. Veronica Macamo. No documento, os participantes mostraram a suas preocupaçoes em relação as mudanças propóstas pela Casa.

O Codigo Penal Moçambicano, e os artigos propostos

Redigido e aprovado sob domínio colonial em 1886, o Código Penal em vigência é claramente ultrapassado e vai de encontro as necessidades sociais do século XXI. Procurando remediar a situação, o governo moçambicano começa em 2008 conversas sobre um novo Código Penal. Em 2013 vem a aprovação pela Assembléia da proposta de revisão e com ela as incertezas de que os interesses dos cidadãos sejam respeitados. Incertezas baseadas em cinco artigos polêmicos. Os artigos 24, 46, 217, 218 e 223 violam a segurança de mulheres e crianças quanto a sua proteção fisica e moral perante crimes sexuais.

Abaixo, a leitura dos textos de cada artigo:

Artigo 24 - Encobridores – Permite que pais, cônjuges, tios, primos e outros alterem ou desfaçam os vestígios do crime com o propósito de impedir ou prejudicar a investigação, ocultem ou inutilizem as provas, os instrumentos ou os objetos do crime com o intuito de concorrer para a impunidade.

Artigo 46 - Inimputabilidade absoluta – Pretende-se que uma criança de 10 anos possa ser criminalmente responsável. Atualmente a idade da imputação é de 16 anos.

Artigo 217 - Violação – Só considera violação a "cópula ilícita", deixando de proteger as mulheres casadas violadas pelo marido. Também não considera outras formas de violação sexual, como as relações sexuais por via anal, oral ou a introdução de objetos na vagina e ânus em indivíduos de ambos sexos.

Artigo 218 - Violação de menor de 12 anos – A lei moçambicana estabelece que uma pessoa até aos 18 anos é considerada criança. Não se entende porque é que só os menores de 12 anos são abrangidos por este artigo. Não considera outras formas de violação sexual, como as relações sexuais por via anal, oral ou a introdução de objetos na vagina e ânus em crianças de ambos sexos.

Artigo 223 - Efeitos do casamento – Determina que o violador tenha a sua pena suspensa ao casar-se com a vítima, e dela nao se divorciar nos cinco anos que se seguem, agravando o seu sofrimento em nome da honra da família.

Contra Ponto

Diante da preocupação, Veronica Macamo garante que o assunto será tratado com o maior cuidado possível e que o Parlamento fará tudo dentro dos limites da constituição. No final, a Presidente pediu a todos um voto de confiança. 

ERRATA: Como observado pelo nosso amigo Marco Milani, o Codigo em questao nao é o Civil, mas sim o Penal. O texto ja foi retificado em seu titulo e corpo.

Você pode ajudar assinando a petição online da Amnistia Internacional (em Inglês).

takeaction.amnesty

fonte: jornal O Pais (Moçambique) Texto: Felipe T. Toniato

lundi 10 mars 2014

Mozambique - Frelimo picks a candidate

After a strong challenge from his rivals, the governing party has chosen Guebuza’s man to stand in the presidential election

After more than a year of uncertainty and speculation, the party in power has finally chosen the Defence Minister, Filipe Jacinto Nyussi, as its presidential candidate for the October election. Nyussi won a convincing victory over President Armando Guebuza’s staunch enemy, Luísa Diogo. She garnered only 31% of the vote by the Central Committee of the Frente de Libertação de Moçambique to his 68%. Unable to serve a third term, Guebuza wanted a candidate loyal to him and whom he could control. Angered by the allegations of corruption and alarmed by the conduct and results of the local elections, other Frelimo factions had fought back and did unexpectedly well through Diogo. Nyussi is almost certain to win in October, however.

Original in Africa Confidential
Filipe Nyussi and Armando Guebuza

mercredi 18 septembre 2013

The tree and the man

If a tree falls in the middle of a forest and nobody is near, does it make a sound?

I extend the thought: And if a man dies and nobody is near to hear his last breath, is he really dead?

Is our existence conditioned to the perception of the others?
Or the other's perception of us?

mercredi 23 janvier 2013

Watch for the sky

Isn't that funny.

In 2006 Brazil launched a project to renew its air fleet, called FX-2. This is a 20bn dollars business. 3 countries are on the run: American Boeing and its F18 Hornet, Swedish Saab with the Gripen NG and last the French Dassault Rafale.

A center key to victory it is the total technological transfer. French and Swedish agree but Americans say it is not possible for them.

The NG Gripen it is not an existing airplane, but a project. Swedish say that they will let Brazil have total knowledge and participation in the process. However, Brazil needs this planes in full operation.

Finally there are the French. They promise full technological transfer and support, plus they have an existing airplane already in operation. Brazil are really interested in this partnership. The only cons was that the Rafale had never been into real conditions battlefield. Until now...

You might guess who was giving support to land troops in Mali?


You guessed right: the Dassault's Rafale.

So, Brazilian gov postponed till 2013 its decision. Who do you think will be the winner?



mercredi 2 janvier 2013

The “Patchwork Society”


  The myth of the phoenix tells us that once upon a time exited a might and beautiful bird that had brilliant scales, gold plumage and a melodious cry. This bird could live for almost 500 years. By the time of death, it would fly to a place and built a nest of aromatic boughs and spices, then the might bird would have sit on this nest and set fire into its own body, bursting itself in flames. But, unlike the other creatures, from the ashes of the old bird, a new phoenix would miraculously appears. We can use this image to explain cultures through time. 
 
  Many cultures have left their own burst of glory, and then burned down to be replaced by another culture, often even more impressive or important. That happened to the Egyptians that were replaced by the Greeks and these ones were replaced by the Romans. Each and every time, either the old culture would be totally assimilate by the new one, for instance like the Romans did with the Hellenic culture, or would be totally or partially destroyed like the Conquistadores did with the native american culture. Furthermore, this is not only true for totally different cultures, often we find this within one culture. The French Revolution brought a whole new paradigm first to its own culture, then after it spread around like wild fire through the Europe. The same thing happened later with England and the Industrial Revolution.

  Regardless if the causality was an external or internal event, the point is that no matter what, one culture should have been either assimilated or destroyed to give birth to a new culture. Just like the phoenix.

  This newly born culture, like a teenager, would denied its past and set its own North until another culture comes to restart the process. That happened in the late 50's when the moral codes were defied and destroyed by the new upcoming Rock and Roll generation giving birth to the 60's and the 70's moral liberation. Moreover, at the turning of the 19th to the 20th centuries the moral Victorian codes were replaced by the New Century more liberal ones. Once replaced, these old guidelines survived only inside the minds of the old generation, and by the death of those, they would be relegated to History.

  A breaking shift into this eternal phoenix's cycle was the large use of Internet and the spread of the modern capitalist globalized society.

  In the late 90's, when Internet started to be used more and more as a tool, we saw an increase in the exchange of cultural information. What could before take a lifetime, now was done within seconds. The easy access to information allows us to find any kind of information about anything we want instantaneously. Therefore, previously far cultures became neighbors and mutual cultural consumers, trading new social manners, points of view, musics, videos, fashion styles, a whole myriad of things that could reshaped the social behaviors. Adding the development and mass use of social networks as Facebook and Youtube, and we have the new millenium way of cultural construction.

  One can argue that Cinema and Television already play this role, but unlike Internet, this two forms of communication are not fast, easy and cheap to exchange in an Internet free environment. Movies and TV shows depend on intermediates to be diffused; while Internet acts in a direct user-to-user interface.

  In the capitalist globalized society, today's brands work to compete for worldwide markets. One of their weapons to do so is to create an easily distinguishing symbol. Something that characterize a particular product in every and each part of the globe. Therefore, we are able to eat the very same food, wear the very same clothes or even decorate our homes with the very same fourniture no matter if we live in New York, London, Rio de Janeiro, Tokyo or Johannesburg. Another weapon used is to massify the consumer. It means we can find not only the same products everywhere, but we will find also the same consumers everywhere. People that have the same consume desires no matter if they are Americans, Brazilians, South Africans, Japanese or English. This is the convergence point where a mass capitalist society meets a fast media system in order to produce a hugh consuming eco-system.

  However, this eco-system is based in an everlasting search for novelties, in order to satisfy its appetite for consume. The problem is that it is hard to provide daily a brand new product. The solution to this particular problem is: the recycle of the old.

  Recycle the old is to take dated material from other generations and relook them into something new. This is easy to observe in fashion and music where constantly, designers and musicians seek for “inspiration” onto older stuff. We can't count how many times our parents clothes and old pairs of shoes passed from total kitsch to newest thing around in a blink of the eye. Or, when we heard countless “remixes” of our favorite songs played one after other at radio stations. One personal example is a sweater that belonged to my grand grand father and stayed for years into my father's closet and passed to my own closet without being used until last year, when this kind of sweaters were once again à la mode in Paris. So, I decide to take it out of its retirement and it was a fashion success. Sure it is a better solution then putting something new into the market, but the problem appears when instead of using something old again, we actually manufacture something new that resemble the old.
 
  People today live in a large cultural eco-system that try to shape them into homogeneous consumers. They will be connected with other people in the world and will realize that they are consuming the very own products, watching the same movies, listening to the same musics, giving them an impression of being part of this eco-system and making this an acceptable pattern. Also, the goodies they consume are the same, either because it is part of a large brand that has an distinguishing symbol or because it has been recycled from another previously existing product.

  The sum of all is a “Patchwork Society”. A global society built from small intercultural parts linked together by the power of the World Wide Web. Constantly using the same cultural products used, relooked and reused over and over again. Never before, we lived in a time where we can see in one day a défilé of transcendental cultural manners. In the 21th century we can find the high technology of the 00's, the financial and cultural extravaganzas of the 80's, the both sexual and drug liberties of the 60's & 70's, plus the moral rigidity of the beginning of the 20th century and the religious cruelty of the middle-age all together in the same time-space.

  There are two points of view that can be extracted: in one hand it can be a cruel society that destroys cultures in its way in order to homogenize them into only one globalized culture. But, in the other hand, if well used, it can be the rise of a free and open world society built by each and everyone of us. Which point of view do you chose?